Nutrição de Forma Humanizada

A nutrição para os idosos está cada vez mais sendo um foco de atenção prioritária já que tem-se observado uma população cada vez mais envelhecida. Diante disso, torna-se fundamental garantir uma boa qualidade de vida na terceira idade. Nos idosos o metabolismo sofre uma transformação para poupar energia e o cuidado com a alimentação é um dos fatores mais importantes para manter a saúde. Nessa fase é preciso alimentar-se com consciência e qualidade, escolhendo alimentos saudáveis que também agradem aos olhos, ao paladar, ao coração e ao prazer.

No envelhecimento os cuidados com a alimentação são ainda mais complexos, pois envolvem um equilíbrio entre as exigências do corpo envelhecido e as limitações decorrentes de algumas patologias que tem seu controle/tratamento pela alimentação. A alimentação no envelhecimento está relacionada tanto com as alterações fisiológicas que limitam o repertório alimentar, por restrições segundo alguma doença crônica ou das alterações de mastigação, mas também as condições de mobilidade, autonomia, independência financeira, condições de saúde, composição familiar.

As alterações fisiológicas que interferem  na nutrição dos idosos são: alterações sensoriais, falta de apetite, constipação intestinal, dificuldade de digestão, diminuição de absorção de nutrientes dentre outras. Portanto, os cuidados com a nutrição devem ser voltados aos tipos de alimentos utilizados, variedade de nutrientes, quantidades adequadas e um prato visualmente atrativo, estimulando, assim, o apetite do idoso.

É preciso lembrar que as pessoas idosas têm necessidades diferentes. A mais simples dessas necessidades é a alteração na capacidade de mastigação e deglutição dos alimentos.

É muito comum nos idosos a perda de dentes, a colocação de próteses que não se ajustam, além da redução das secreções salivares, da diminuição do olfato e da capacidade de engolir. Por essa razão, se faz necessário a confecção de cardápios apropriados em consistência e textura, o tamanho dos alimentos e a quantidade que é levada à boca devem ser adaptados ao grau de limitação apresentado.

Nesses casos, moer, ralar, picar em pedaços menores podem ser alternativas viáveis para o planejamento das refeições e o consumo, evitando recusa da refeição e complicações como engasgo, aspiração ou asfixia durante a ingestão dos alimentos. No momento do consumo, as preparações selecionadas para compor o cardápio da pessoa idosa, além de atender aos princípios da alimentação saudável, devem ser apresentadas de forma atrativa à mesa. A proposta é despertar o desejo de saborear refeições saudáveis e que gerem satisfação ao serem consumidas, pois o ato de se alimentar deve conferir prazer.

Nas instituições de longa permanência para pessoas idosas é preciso estimular os moradores a frequentarem a sala de refeições.

Para isso, uma alternativa é tornar esse ambiente atrativo e agradável. Para tornar esse ambiente ainda mais atrativo, usar elementos de decoração, neste caso é uma opção viável, mas deve haver moderação para não desviar a atenção da pessoa idosa da alimentação. Neste local também deve haver espaço para livre circulação e tonalidades de cores que favoreçam boa reflexão de luz, visto que o declínio visual é comum nas pessoas idosas.

A atenção integrada e humanizada deve ser capaz de trazer a pessoa idosa para o centro dos cuidados da equipe de saúde, deve ser o diferencial do trabalho da equipe multidisciplinar na consecução das ações de promoção da saúde e da qualidade de vida, tendo a alimentação e a nutrição como pilares fundamentais para tal.

É necessário termos em mente que  os cuidados com a nutrição na terceira idade não devem ser apenas terapêuticos. Nunca é tarde para considerar que a nutrição é um fator de promoção da saúde e de prevenção de doenças!!!

Eliane Antunes Videira
Nutricionista
CRN 13025
nanivideira@ibest.com.br